Vasco da Gama avança venda de 90% da SAF para R$ 2 bilhões
mar, 26 2026
A negociação que promete mudar o futuro do clube foi avançada nesta quarta-feira. O conselho diretivo do Vasco da Gama caminha para vender 90% das ações da sua Sociedade Anônima do Futebol para o empresário Marcos Faria Lamacchia em uma operação valendo mais de R$ 2 bilhões. As conversas decisivas ocorreram no dia 25 de março de 2026, estabelecendo o arcabouço financeiro entre os representantes cruzmaltinos e o investidor. Mas atenção: ainda não há assinatura final. A aprovação dos conselhos internos do clube ainda é necessária para dar vazão ao acordo.
Marcos Faria Lamacchia, CEO da Blue Star, tem um perfil que chama a atenção por si só. Aos 47 anos, ele é filho de José Roberto Lamacchia, fundador do Banco Crefisa, e genro da atual presidente do Palmeiras, Leila Pereira. A trajetória profissional dele inclui passagem por grandes instituições financeiras, com especialização em Direito Corporativo pela Fundação Getúlio Vargas. Atualmente, ele divide tempo entre Aspen, nos Estados Unidos, e São Paulo.
Quem é o novo acionista e como chegaram aqui
O histórico de negócios de Lamacchia não é secreto, mas seu envolvimento direto com futebol traz discussões naturais sobre influência no esporte. Ele assumiu a diretoria do Crefisa entre 2004 e 2009 e fundou a Blue Star em 2008, onde atua hoje. Essa empresa sediada em São Paulo oferece consultoria financeira e serviços de investimento, contando até a mãe dele como sócia. Agora, ele lidera as negociações pessoalmente, mantendo um perfil discreto nas redes sociais.
Para entender o tamanho da operação, precisamos olhar para a estrutura atual da SAF. Hoje, o patrimônio está dividido: 30% fica com o clube associado, 31% pertencem à 777 Partners (adquirida em 2022) e 39% estão em disputa na justiça arbitral. O detalhe que complica ou facilita tudo? Para negociar essa fatia disputada, seria necessário um acordo extrajudicial ou uma decisão favorável nas cortes. O acordo proposto abrange exatamente esses 90%, englobando inclusive a participação da 777 Partners que agora responde pelo valor total.
Pagamento de dívidas e compromissos futuros
Aqui entra o ponto crucial para a torcida: o dinheiro vai resolver buracos antigos? O pacote inclui uma lista robusta de investimentos. O novo investidor assume as dívidas do clube e da SAF, seguindo o cronograma do plano de recuperação judicial. Segundo informações internas, o Vasco já iniciou pagamentos dessa recuperação no primeiro trimestre de 2026, esperando fechar março com quase R$ 20 milhões quitados.
Mais do que quitar passivos, o contrato pede aportes novos. Estamos falando de infraestrutura no Centro de Treinamento (CT), verba para contratações, folha salarial e fluxo de caixa operacional. Há também menção ao uso da Lei de Incentivo para esportes olímpicos. A ideia é que o investidor vá além do mínimo obrigatório, algo que o presidente Pedrinho, ex-jogador, já sinalizou com otimismo em entrevista à CBF na segunda-feira anterior.
"Existem expectativas claras de que o empresário financia investimentos além do mínimo obrigatório." Presidência do Vasco
Burocracia: o desafio da ANRESF
Não adianta ter o negócio fechado se a régua oficial não passar. Qualquer alteração corporativa deve ser formalizada dentro de 30 dias. Representantes do grupo de Lamacchia já contataram a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol para apresentar a estrutura da nova empresa que será criada.
O órgão avalia a conformidade com as normas de fair play financeiro e limita influências múltiplas no esporte. Até o momento, mesmo com rigor técnico, a agência sinalizou abertura para resolver pendências antes da venda final. Isso exige definir a cronologia exata dos investimentos e passar pelo departamento de fair play da Confederação Brasileira de Futebol.
O desempenho em campo enquanto se negocia
Tudo isso acontece enquanto o time joga sob a liderança de Renato Gaúcho. A equipe mostrou sinais de vida recente, somando três vitórias e um empate nos últimos quatro jogos. Com 11 pontos, o Vasco ocupa a nona posição no Campeonato Brasileiro. A combinação de estabilidade tática e segurança financeira pode ser o combo ideal para evitar o rebaixamento e projetar a briga por títulos.
O que esperar nos próximos passos?
Com a aprovação dos conselhos Benemérito e Deliberativo, o processo corre em direção à formalização. É importante notar que detalhes podem ser ajustados durante esse período de análise regulatória. A torcida observará cada movimento perto do São Januário, sabendo que a mudança de comando da SAF é o passo mais concreto de renovação institucional desde a crise financeira passada.
Frequently Asked Questions
Qual o valor exato da negociação proposta?
A operação está avaliada em mais de R$ 2 bilhões, embora o montante final possa variar dependendo das cláusulas de ajuste de desempenho e pagamento parcelado.
A venda resolve as dívidas atuais do clube?
Sim, parte fundamental do acordo prevê a assunção das dívidas tanto do clube quanto da SAF, alinhadas ao cronograma de recuperação judicial aprovado anteriormente.
Quem é Marcos Lamacchia e qual sua experiência?
Empresário especializado em direito corporativo e finanças, CEO da Blue Star, com passagens bancárias no Crefisa e ligações familiares com o alto escalão do futebol brasileiro, incluindo o Palmeiras.
O acordo precisa da aprovação da torcida?
A homologação depende principalmente dos conselhos internos (Beneméritos e Deliberativo) e das agências reguladoras como a ANRESF e a CBF, sem votação direta da base associativa neste instante.
Quando a transação pode ser concretizada?
O presidente Pedrinho expressa expectativa de conclusão durante o ano de 2026, após a definição do cronograma de investimentos e aprovação regulatória completa.